segunda-feira, novembro 07, 2005

Viver

A melancolia é imortal. Vejo os rostos na rua. Quantos e quantas não deixaram o seu sonho para trás em busca da sobrevivência de cada dia? O que você quer ser quando crescer? Pergunta insistente, ainda presente no abissal de suas memórias, quase esquecido. Os sonhos foram cuidadosamente embrulhados e guardados. E ali estão, adormecidos. Uma vida vegetativa, mais preocupada se vai ter comida amanhã ou se o dinheiro vai dar para pagar as dívidas.

O tempo não tem pena, tem pressa. Cada dia passa num segundo. E quando acordamos, temos a sensação de nunca termos vivido. Tudo recomeça. Problemas voltam enquanto novos aparecem. As ruas, apinhadas de gente que esqueceu o que é lutar pelos seus desejos. Estão mais atentos à novela das oito do que aos seus sonhos. Esses, são desprezados. São apenas sonhos.

Amanhã. Como vai ser? E depois? Ano que vem? Pra que esperar? Juntar dinheiro? E se eu morrer? E se todos morrermos? E quando morrermos?

Gira a Terra. A mente, então, gira duas vezes. Alguns ficam tontos e embarcam no que se chama "realidade". Mas há aqueles que fecham os olhos, concentram-se no agora e dormem. E sonham o presente, de contramão ao resto do mundo. Nesse grupo, certamente estão os mortais que são história para as gerações futuras. E assim, tornam-se imortais, bem como a melancolia que, por pouco, não levou seus sonhos embora.