quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Maratona de filmes “Até que enfim estréias válidas”

“Munich” (*****), novo filme de Steven Spielberg, dizem, nem chega perto de “A Lista de Schindler”. Não posso dizer o mesmo, porque ainda não vi aquele da década passada. Mas achei “Munich” um grande filme, digno de um Oscar na mais concorrida categoria. Li alguns comentários dizendo que as mais de duas horas eram desnecessárias. Não concordo. Pelo contrário, nem senti as horas passarem e achei até que o filme merecia mais uma meia hora, pelo menos. A história conseguiu me envolver plenamente, embora não tenha surtido o mesmo efeito em alguns espectadores que saíram da sala falando “Me chamaste pra ver isso?”. Outros acusaram o filme de alguma coisa que eu esqueci o termo, mas seja o que for, tenho certeza de que o Spielberg não está nem aí. Ele decidiu contar a história sobre um ponto de vista, o que está longe de ser uma heresia cinematográfica (em ambos os sentidos) – a não ser para os closedminded. Certamente, até agora, é o melhor filme exibido em 2006. Está certo que a safra ainda não é das melhores, mas conseguiu 9,3 pontos (primeiro lugar) no meu ranking pessoal. Destaques para as excelentes: direção de arte, trilha sonora (pudera, tem John Williams na composição e regência) e fotografia; e para as atuações de Eric Bana e Geoffrey Rush (demorei para reconhece-lo).

“Flores Partidas” (***), de Jim Jarmusch conta com a atuação correta de Bill Murray e tem pequenas participações de Julie Delpy (a ex-namorada que o abandona), Sharon Stone (uma antiga namorada) e Chlöe Sevigny. É a busca indisposta de um cara em busca de seu suposto filho. Explico: no dia que a namorada o deixa, chega uma carta cor-de-rosa supostamente escrita pela mãe de seu filho que ele nunca soube que existira. Como diz a Luzia Álvarez, de O Liberal, Murray é tão bom ator que acerta mesmo quando não está fazendo nada – o que ocorre na maior parte do filme. Não é um filme comercial. Talvez por isso, alguns espectadores tenham saído da sala descontentes com o final do filme. Tal como outra espectadora citada no parágrafo acima, não tenho dúvidas de que elas prefereriam ter assistido a babaquice de “E Se Eu Fosse Você”.


Aliás, é estranho reparar como existem pessoas que assistem filmes pelos atores da Globo, e não pela história. Ou talvez pela história ser parecida com as novelinhas infames da Globo. Ao comprar o meu ticket para “Munich”, ouvi uma senhora falar no caixa ao lado: “Ei, eu quero um ingresso pra esse filme que tem aqueles atores da Globo.. qual é o nome do filme?”. Repugnante – desculpe a arrogância.