Na sala do chefe
Trabalhar na mesma sala que o chefe tem suas vantagens: você fica sabendo 90% das coisas que "rolam" no setor; acompanha as conversas do chefinho com funcionários, estagiários e desconhecidos; em seguida, o chefe faz suas confissões a você a respeito de cada episódio; por não ter a chave da sala, você é obrigado a faltar todas as vezes que o poderoso viaja; e visualiza o seu chefe como uma pessoa tão normal quanto a sua mãe.
Mas o que me fez escrever foi o seguinte episódio: a Daniele, estagiária há alguns meses, também (como eu) ex-pesquisadora mirim, chega na sala para falar com o Luiz. Ela senta, mas permanece em silêncio, esperando que o chefe se desocupasse do que estava fazendo no computador. Após algum tempo...
- Quer falar comigo, Dani?
Eu só rindo, baixinho, pela ironia do Luiz.
- Queria... É sobre as minhas folgas (todos os anos o Luiz dá duas semanas de folga - uma em julho e outra em dezembro). - Mostra um papel mostrando o seu cronograma de folgas. - Porque tem também aquelas referentes à Pororoca (evento de divulgação científico realizado anualmente no Museu), aí eu queria te mostrar...
Aí começou a "mijada" do Luiz. Insinuou que a Dani não deveria tirar tais folgas, pois, na prática, ela já havia tirado quando pedia para assistir palestras e/ou outros eventos vinculados à faculdade. Segundo o chefinho, não importa o motivo pelo qual a pessoa não foi trabalhar, aquilo já era uma folga que, conseqüentemente, eliminaria qualquer outra que viesse adiante.
- Sim, Luiz, mas é direito de todo estagiário poder pedir dispensa do trabalho para participar de algum evento do curso.
- Direito? Onde é que tá escrito isso? Me mostra esse estatuto, que eu não sei da existência dele, não o conheço. Todos os estagiários têm direitos, mas também têm deveres que, muitas vezes, aqui, não são cumpridos. Se tu me vens com um direito, eu te mostro um dever.
O Luiz estava, realmente, muito puto.
- Tá, tudo bem, então quer dizer que eu não posso tirar essas folgas, né? - falou, já sem esperanças.
- Não, não é isso que eu tô te dizendo. Tô falando que tens que pensar um pouco sobre o que tu fazes. (Aí ele me citou como um "bom exemplo" de como era a nossa relação estagiário-chefe, onde prevalecia o bom senso.
Tudo isso durou uns 10 minutos (praticamente um monólogodo Luiz). Ao final, a Dani saiu de lá toda cabisbaixa. Depois, o Luiz veio me falar que ela chegou um dia às seis da tarde para dizer que folgaria no dia seguinte, pois iria assistir a um seminário referente ao curso da faculdade e que o mesmo, segundo ela, era obrigatório, o que ele achou um absurdo ("Custava ter avisado atencipadamente?"). Para completar, ela ainda não havia entregue uma nota fiscal muito importante para que o Luiz pudesse fechar um relatório e enviar à Fadesp. Em outras palavras: o Luiz uniu o útil ao desagradável e ficou de cara feia para o lado da Dani.
E M T E M P O :
» Sim, os chefes peidam. E como. Hoje, por exemplo, chega a Teté (amiga dele) e logo após ele diz: "Teté, já viste como tá o meu dedo?". A Teté pega no dedo e... PUMMMMMM! (Coitado de mim, que estava atrás dele!).
» Toda vez que o Luiz peida silencioso (justamente aqueles que fedem mais), o Alcemir, quando está na sala, chama alguém para entrar, de propósito, claro.
Mas o que me fez escrever foi o seguinte episódio: a Daniele, estagiária há alguns meses, também (como eu) ex-pesquisadora mirim, chega na sala para falar com o Luiz. Ela senta, mas permanece em silêncio, esperando que o chefe se desocupasse do que estava fazendo no computador. Após algum tempo...
- Quer falar comigo, Dani?
Eu só rindo, baixinho, pela ironia do Luiz.
- Queria... É sobre as minhas folgas (todos os anos o Luiz dá duas semanas de folga - uma em julho e outra em dezembro). - Mostra um papel mostrando o seu cronograma de folgas. - Porque tem também aquelas referentes à Pororoca (evento de divulgação científico realizado anualmente no Museu), aí eu queria te mostrar...
Aí começou a "mijada" do Luiz. Insinuou que a Dani não deveria tirar tais folgas, pois, na prática, ela já havia tirado quando pedia para assistir palestras e/ou outros eventos vinculados à faculdade. Segundo o chefinho, não importa o motivo pelo qual a pessoa não foi trabalhar, aquilo já era uma folga que, conseqüentemente, eliminaria qualquer outra que viesse adiante.
- Sim, Luiz, mas é direito de todo estagiário poder pedir dispensa do trabalho para participar de algum evento do curso.
- Direito? Onde é que tá escrito isso? Me mostra esse estatuto, que eu não sei da existência dele, não o conheço. Todos os estagiários têm direitos, mas também têm deveres que, muitas vezes, aqui, não são cumpridos. Se tu me vens com um direito, eu te mostro um dever.
O Luiz estava, realmente, muito puto.
- Tá, tudo bem, então quer dizer que eu não posso tirar essas folgas, né? - falou, já sem esperanças.
- Não, não é isso que eu tô te dizendo. Tô falando que tens que pensar um pouco sobre o que tu fazes. (Aí ele me citou como um "bom exemplo" de como era a nossa relação estagiário-chefe, onde prevalecia o bom senso.
Tudo isso durou uns 10 minutos (praticamente um monólogodo Luiz). Ao final, a Dani saiu de lá toda cabisbaixa. Depois, o Luiz veio me falar que ela chegou um dia às seis da tarde para dizer que folgaria no dia seguinte, pois iria assistir a um seminário referente ao curso da faculdade e que o mesmo, segundo ela, era obrigatório, o que ele achou um absurdo ("Custava ter avisado atencipadamente?"). Para completar, ela ainda não havia entregue uma nota fiscal muito importante para que o Luiz pudesse fechar um relatório e enviar à Fadesp. Em outras palavras: o Luiz uniu o útil ao desagradável e ficou de cara feia para o lado da Dani.
E M T E M P O :
» Sim, os chefes peidam. E como. Hoje, por exemplo, chega a Teté (amiga dele) e logo após ele diz: "Teté, já viste como tá o meu dedo?". A Teté pega no dedo e... PUMMMMMM! (Coitado de mim, que estava atrás dele!).
» Toda vez que o Luiz peida silencioso (justamente aqueles que fedem mais), o Alcemir, quando está na sala, chama alguém para entrar, de propósito, claro.

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