sábado, novembro 12, 2005

Zzz...

Dormir sempre foi um problema para mim. Pequeno, uma das coisas que os adultos mais lutavam comigo era para me fazer dormir à tarde. Até hoje, nunca consegui - salvo raríssimas exceções, como quando eu ia para a Ilha dos Papagaios, de madrugada, já que, de volta, o sono era inevitável. No entanto, lembro de um costume que eu tinha: quando estavam todos dormindo, após o almoço, o tédio queimava os meus miolos, prostrava-me de bruços contra a poltrona (ficava de joelhos), e enfiava a cabeça entre os travesseiros. E dormia.

De uns tempos pra cá, comecei a achar o sono extremamente dispensável. Calma, eu sei que dormir faz bem para um bando de coisas, e infelizmente esse é um jeito imutável de se viver. Mas já pensou como será no dia em que inventarem a "pílula da insônia", aquela que dá a você 5 minutos de repouso que equivalem a 8 horas de sono "normais"?

Por um lado seria uma maravilha, porque teríamos praticamente as 24 horas do dia completas para fazermos as nossas atividades. A armadilha é que, indubitavelmente, os "donos do poder" (ou aqueles que se acham assim - e muitas vezes são!) aumentariam ainda mais todas as cargas horárias que possam existir: mais tempo na escola, no trabalho, o Jornal Nacional seria mais longo e acabariam com os rótulos de "noturno", freqüentemente pinçado sobre as pessoas que não gostam de dormir cedo, já que dormir seria apenas um - quase imperceptível - detalhe.

Outros males que, porventura, viriam: os horários de desconto das ligações telefônicas mudariam ou se extinguiriam? A violência aumentaria ou continuaríamos não podendo sair à noite de nossas casas, com segurança? Porque, vejam bem, é um estilo de vida que estaria em jogo. As horas continuariam as mesmas, apenas passaríamos a dormir menos (se é que se pode chamar meros 5 minutos de sono...).

É bom ressaltar que as tradicionais sestas após o almoço provavelmente persistiriam, pois, segundo o que me ensinaram, é o sangue que desce da cabeça para o estômago a fim de auxiliar na digestão. A não ser que até lá também inventem uma pílula com enzimas poderosas que cumpram esse papel.

Enquanto esse dia não chega, vou permitir a aproximação do sono. Na noite anterior, dormi apenas por três horas. Só descansei à tarde, de uma às três. Bem que tentei dormir, mas os Strokes não me deixaram.