domingo, novembro 13, 2005

Buh!

Lá ia eu caminhando calmamente pela rua escura, após tomar um guaraná com flocos bem gelado, quando uma fantasma aparece na minha frente. Na verdade foi na calçada, no outro lado da rua. Se bem que eu até já esperava por isso, já que estava na rua da casa da fantasma. Perguntou-me o que eu estava fazendo por aquelas bandas. Embora não fosse da sua conta, acabei dizendo que era por causa do cursinho onde estudava, que ficava lá perto.

- Ah, eu ia dizer pra você falar com o Nader...

Estranhei. Por que diabos eu teria que falar com o Nader?

- É que ele também gosta das mesmas coisas que você, trabalhar com arte no computador, aí pensei que vocês poderiam conversar. E ele diz que não é preciso você fazer um curso, se formar, para aprender a fazer essas coisas. Que nem a minha irmã, que é jornalista, mas aprovaram aquela lei [ou decreto] segundo o qual não é necessário ser jornalista para escrever matérias...

Como sempre, eu só fiquei pensando e, a ela, concordando com tudo. Mas eu prefiro economizar as minhas ações de "respondão". Não preciso disso. Mas a fantasminha ainda não percebeu que eu não quero as artes como segunda opção na minha vida, predominando o campo científico (biologia). Pelo contrário. Estou convencido de que eu entrei na biologia, não pela matéria em si, muito menos pelas aulas, mas por ser um assíduo telespectador de documentários e programas educativos, principalmente os da tv Cultura. Aí, achei que queria ser professor de ciências e por isso entrei no curso de Ciências Biológicas.

Até que o professor de Invertebrados I (o Zé Antônio) proclama em alto e bom som (que ainda ecoa dentro de mim): "Se você entrou neste curso por causa dos documentários do Discovery, do National Geographic, do Globo Repórter e etc, você está no lugar errado! A biologia, o trabalho científico, não é aquilo! Aquilo são imagens bonitas, bem fotografadas, com uma bela trilha sonora de fundo, que não é o biólogo quem faz." Pronto. Estava instalado o caos, onde passei a morar durante intermináveis meses.

Hoje, tenho a consciência de que o curso de Artes Visuais e Tecnologia da Imagem é o que pode me satisfazer mais, pois é aquilo que eu sei e gosto de fazer. Claro que para isso eu me sacrifico, me esforço. É mais diversão do que obrigação. Portanto, cara fantasma, vá assustar outro!