sexta-feira, dezembro 09, 2005

Mostra Arte Final - parte II

Dor de cabeça, no corpo, quase com febre, mas eu não podia perder os vídeos lá no IAP. Cheguei atrasado e perdi o primeiro deles, "Plumas", que por sinal estava previsto para ser o último. Mas como eu acho que eles vão passar amanhã no vernissage do George Venturieri, não me apavorei tanto. Abaixo, maliciosos (ou não) comentários de cada um, a partir do segundo:

O Tao Caminho - Achei que fosse o mesmo vídeo que estava passando ontem no vernissage, mas era uma versão mais longa. A diretora Danielle Fonseca foi visitar a antiga casa do poeta Max Martins, na praia de Marahu, Mosqueiro, intitulada "Porto Max". "Eu já li tudo isso aqui. Se é verdade ou mentira, não me importa", diz Max. As cenas exploram bastante a "cabana de madeira" do poeta. Mostra ainda as obras (ferro contorcido, semelhante a origamis) da artista visual espalhadas pela praia. Frase que gruda na memória: "Todo vôo volta à sua origem".

Imagens Cruzadas - O diretor Fernando Segtovick decidiu realizar oficinas de vídeo com quatro grupos distintos: Movimento Missão Jovem; na Ilha de Cotijuba; na Igreja Luterana da Pedreira, através do Centro de Cultura Regional Iaçá; no curso de Comunicação Social da Unama. O resultado dessas oficinas foi a realização de vídeos onde cada um poderia contar a sua história. A idéia do Fernando era fazer um apanhado heterogêneo de quem mora em Belém. Se eu pudesse caracterizá-lo em uma palavra, escreveria "experimentação". Senti a falta de uma identidade para o filme. É uma mesclagem que poderia ser interessante, mas que foi mostrada apenas como mesclagem. Dos quatro vídeos inseridos, o mais técnico, mais bonito de se ver foi o do pessoal da Unama. Eles souberam muito bem utilizar o zoom (ao contrário de quem pensa que o zoom só serve para aproximar objetos/pessoas, ele pode produzir efeitos interessantes), o que ajudou a apresentar uma fotografia de qualidade. Não me agradou duas faixas escuras transparente no alto e abaixo no vídeo. Ficou com cara de amadorismo mal feito, mas que muitos acham bonito. Eu, não. (Há certas coisas no vídeo -efeitos, particularmente - que se não forem utilizadas do modo e na hora certa não caem bem.)

Os dois vídeos comentados a seguir (animações) são prova de que é possível tratar do regionalismo sem excessividade.

O Menino Urubu - É a história de um bebê abandonado no lixão. Um casal de urubus o encontra e cria como se fosse um filhote. A mamãe-urubu "batiza" o garoto de Carniça, achando ser o nome mais bonito. (Também, com um pai de nome Pirão...) Como todo filhote de urubu, Carniça aprende a voar, mas quando cresce, fica mais pesado e não consegue voar por muito tempo. Então, surge uma crise de identidade: "Por que eu tenho essas penas? [mechendo o cabelo] E esse bico dentro da boca? Por que o vento não me leva mais?" É aí que a ficha cai e ele percebe (finalmente) que é humano. Os pais dizem que todo menino humano vai para a escola. Carniça acha uma farda no lixão e sai rumo à escola. Mas o menino é impedido de entrar porque não foi matriculado. Baseado nos seus "poderes de urubu", ele vôa, cruzando o portão e consegue assistir as aulas do alto de uma árvore. (É a cena mais emocionante.) O final considero um tanto utópico, embora num filme desses isso não seja exatamente um problema, mas digo que é utópico em relação à interpretação que se faz. Onde está o regionalismo? Os personagens falam com um forte sotaque paraense ("Tu vais") e gírias características ("Égua!"; "Pai-D´Égua!"), os nomes dos personagens refletem o vocabulário da região (Pirão, Gorijuba, entre outros), a Av. Almirante Barroso, o ex-Colégio Lauro Sodré e a passarela laranja que liga os dois lados da pista. A animação não é lá grande coisa, mas vale pela experimentação - palavra que aliás é a espinha dorsal dessa mostra, para o bem e para o mal.

Adimirimiriti - Comecei gostando só por causa do título - nada de clichê. Criatividade. Os brinquedos de miriti ganham vida nas mãos de Andrei Miralha e equipe. O "ator principal" é um homenzinho de miriti que interage com os outros brinquedos: reza para a Santa; é bicado pelos passarinhos (aqueles que ficam bicando, um de cada vez, à medida que a bolinha amarrada a um fio é puxada para os lados); arranja confusão com os "homens do pilão". O enredo tem início com uma festa na qual o homenzinho acaba perdendo literalmente sua cabeça, que é chutada pelo seu par, a mulherzinha. Curiosas citações: cobra grande, o boi correndo atrás dos moradores, o Círio de Nazaré. Na cena da briga com o touro tem toques de Matrix, o que arranca gargalhadas inevitáveis da platéia. Há também três engraçados macaquinhos (ao estilo do Trio Manari ou coisa do tipo) que conduzem a trilha sonora. É tecnicamente superior aos demais. Torço para que seja selecionado para o CIneFest do ano que vem.

BELÉM HOJE:

Abertura da Exposição alusiva à Semana da Marinha, com exposição de objetos, fotos, equipamentos e vídeos das atividades da Marinha em nossa região.
Local: Estação das Docas (Boulevard das Feiras e Exposições)

9h - Lançamento do livro "A Ética do Rei Menino", de Gabriel Chalita, Secretário de Educação de São Paulo.
Local: São José Liberto

18h - Grupo Parafolclórico Sabor Marajoara (Caminho do Sol).
Local: Estação das Docas (Orla)

18h - Coral Adulto e Infantil do TRT
Local: Casa das Onze Janelas (Anfiteatro)

19h - Coral do Hospital da Aeronáutica de Belém.
Local: São José Liberto.

19h - Espetáculo de dança "Encantamento", de Marilene Melo e Cia. Roda Pará.
Local: Instituto de Artes do Pará (Jardim)

19h30 - Espetáculo de dança "Noite de Gala".
Local: Parque da Residência (Estação Gasômetro)

20h - Espetáculo de dança "Floresta Amazônica - Em Busca do Paraíso", da Escola de Dança Clara Pinto.
Local: Theatro da Paz

20h - Show "O Choro que Canta o Natal", com Adamor do Bandolim.
Local: Estação das Docas (Anfiteatro)

20h30 - Espetáculo teatral "Nêga, qui tu tem?", de Rutiel Felipe.
Local: Instituto de Artes do Pará (Sala de Dança)

ATÉ HOJE!

Exposição "A sombra dos esquecidos", do fotógrafo francês Mathieu Duvignaud.
Local: Instituto de Patrimônio Histórico, Artístico e Nacional (IPHAN). A galeria do IPHAN fica na avenida Governador José Malcher, 563, esquina com a Rui Barbosa. Visitação em horário comercial.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

depois de todo esse tempo só agora li sei comentário sobre o nosso curta... bela crítica, obrigado, espero q vc goste de nossas próximas produções.

12:39 AM  

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