sábado, dezembro 31, 2005

O que eu estou fazendo aqui?

Quando eu escolhi biologia foi mais por falta de opção do que por outra coisa. Eu só fui descobrir para o que eu presto no museu! E sabe de quem é a culpa? Do Ensino Médio, que não ensina artes - se ensina, é muito mal porcamente; acha mais "cabível" privilegiar as outras matérias. E, no fundo, a gente só estuda o diabo dessas "matérias extras essenciais" por causa do maldito vestibular. Só depois a gente descobre que tudo aquilo era, sim, importante, porque serve (ou deve servir) como um CONHECIMENTO GERAL dakilo q nos cerca.

Sorte têm - mesmo que ainda não saibam - aqueles que entraram há pouco no Ensino Médio, os quais são obrigados a aprender filosofia e sociologia - matérias DA VIDA. E artes? Quando é que o Curro Velho vai ser a única - e excelente - opção para os aspirantes a artistas? O fato é que a "sociedade" acaba dando valor a coisas "mais importantes". Arte? Isso é coisa de quem não tem o que fazer. Ou de quem não sabe o que fazer. Talvez eu me encaixe nas duas categorias.

Quem dera eu tivesse descoberto isso antes. Antes tarde, do que nunca.

Que venha 2006!

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Manias

. Na cama, se eu me viro para a direita, tenho que virar para a esquerda para ficar na mesma posição de antes. Se eu der duas voltas para a direita, tenho que dar duas para a esquerda. (E vice-versa.) Se eu não der as voltas "de volta", alguma coisa vai dar errado.

. Antes de dormir, sempre olho debaixo da cama (de preferência com uma lanterna acesa) para conferir se não há nenhuma barata escondida.

. Já devidamente coberto pelo lençol, sempre abro um olho e deixo o outro fechado (por um segundo) e em seguida faço o inverso. Desde que vi uma reportagem no fantástico sobre um cara que acordou enxergando em preto e branco, fiquei com essa neura. É como se eu pudesse confirmar que até aquele momento as cores continuam normais.

. Quando estou comendo, na colher, sempre tem que vir "a comida" (ex.: feijão, arroz, macarrão, farinha) e um pedaço de carne (ou frango, peixe...). Nem um a mais. Se não vier nenhum, a próxima colherada tem que vir com dois pedaços de carne.

. O suco sempre deve durar por toda a refeição.

. Quando estou em uma daquelas calçadas que apresentam divisões, eu sempre tenho que iniciar cada divisão com o pé direito e terminar com o pé esquerdo.

. Se eu vejo um cachorro, atravesso a rua. Se eu vejo outro, atravesso de novo.

. Sempre que passo na frente de uma igreja, tenho que fazer o sinal da cruz. Se eu esquecer, eu tento fazê-lo disfarçadamente para que ninguém note, como se eu estivesse me coçando.

. Antes de me enxugar, após tomar banho, tenho que conferir os dois lados da toalha.

. Sempre tomo banho com chinelos.

. Sempre coloco as moedas no bolso esquerdo.

. Sempre me olho nas janelas dos carros.

. Nunca começo um novo cabeçalho em uma página usada (nem no verso da mesma).

. Sempre subo uma escada iniciando com o pé direito e de preferência tenho que chegar no piso de cima com o mesmo pé.

. Compro por impulso.

. E outras que eu não me lembro.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Ele, Ela e o cobrador de ônibus

- Eu poderia tirar da obscuridade o último segredo do mundo. O único que você julga não saber.
- Lá vem você...
- Por que todas as pessoas, no fundo, no fundo, acham que pensam o “mais” certo?
- Por que você é hipócrita?
- Quem não é, no fundo, no fundo?
- Você me azucrina! Sabe o quanto eu te amo?
- Amor?
Ela abaixa o rosto, cruza os braços e enche os olhos de lágrima.
- Você não sabe o que amar, né? Será que passa pela sua cabeça que o amor pode existir?
- Eu não acredito no amor.
- Ah... novidade!
Ele dá um sorriso entre o sádico e o irônico.
- Quantas você deixou nesse estado?
- Nunca contei. Adiantaria contar?
- Você é um insensível, mesmo.
- Eu nunca disse o contrário. Vocês é que acreditam.
- Cara, tu não tens noção do que fazes, não? Só a tua vida importa!
- Ué, e por que eu iria suar pelos outros?
- Que prazer você tem ao ver os outros sofrerem?
- O mesmo que você deve ter ao chorar.
Ela passa a mão no rosto, enxugando-o.
- Por que eu ainda insisto em você.
- Acredite, você não é a única.
- Nossa, és tão cobiçado assim? Talvez seja por isso que nunca sabes o que quer.
- Sei, sim. Existem horas que eu sei que eu quero você. Outras, que eu sei que você fica melhor longe de mim.
- Não acredito que estou ouvindo essas coisas.
- Boa colocação. Por que ainda está aqui?
- Por que eu gosto de ti! – e cai aos pés dele.
- Ai meu Deus...
Ela grita várias vezes “eu gosto de ti!” à medida que, sem largar dele, se levanta até as bocas se encostarem uma na outra.
Um beijo.
Duas línguas.
Ela o abraça.
Ele tem as pupilas dilatadas.
- Por que você faz isso comigo? – diz Ela, choramingando no ombro dele.
- Foi você que fez.
Ela sai dali e vai sentar na escada, com a cabeça abaixada.
- Escuta...
Ele senta ao lado dela.
- Sai daqui!
Ela repete isso várias vezes, insistentemente. Ele se cansa e desce as escadas.
- Volta aqui, filho da mãe!
Um olhar.
Dois rostos: um com saudade do outro; o outro cansado de um.
- Como é que você consegue ser assim?
- Assim como?
- “Assim como?”
- Posso te pedir uma coisa?
Ela não faz que sim nem que não com a cabeça. Apenas o admira.
- Vamos esquecer tudo isso. Não cria expectativa de um futuro que não vai existir.
Ela levanta como um dragão apto a liberar extensas labaredas.
- Mas todo esse tempo foi isso que você deixou acontecer, seu insensível, insensato, infeliz, idiota, filho da puta! Esses meses inteiros eu pensei em você, em nós, em nosso futuro. Achei que um dia você pudesse mudar e poderíamos viver uma paixão normal. Mas não! Você só fez aumentar a minha ilusão. Aquela droga de bebida que você bebeu aquela noite deve ter feito algum estrago em sua cabeça pra fazer você me beijar e inventar essa farsa toda! Seu maldito mentiroso! Eu te odeio!
- Ei! Todas as vezes que eu te beijei eu estava ciente do que estava fazendo por que eu estava apaixonado! Mas você parecia não dar a mínima. Vivia falando que não precisava de mim. Você acha que não me iludiu também? E como! Você realmente não sabe as noites que eu quase não durmia pensando em você!
- E você nunca me falou disso, por quê? Você nunca disse que me amava!
- Mas quem somos nós pra falar de amor? Que coisa complicada!
- Eu te iludi, foi?
- O nosso caso foi uma ilusão. Foi uma paixão estranha. Ninguém dizia que gostava um do outro. Os beijos eram sempre uma aventura. Nunca se sabia se era certo ou errado. E a resposta, você nunca me dava. Eu ficava voando, sem saber como agir, o que dizer. Aos poucos, aquilo que eu sentia foi diminuindo, diminuindo... E o que restou é uma quantidade tão irrisória para uma paixão que ela sequer tem forças para voltar.
- Por que você só está me falando isso agora? – recomeça a chorar.
- Por que você nunca me perguntou. Nunca tivemos uma conversa. Você nunca se abria comigo. E isto é o resultado.
- Eu não tenho culpa...
- Não existe culpado nesses casos. Apenas vítimas. Geralmente duas.
- Você? Vítima? Ha-ha...
- Você continua achando que é a única. A única que sofre, manda e geme de tristeza.
- Vai embora, vai.
Era isso o que ele queria.
Ela se levanta e se tranca no quarto.
Ele observa tudo aquilo com o seu habitual ceticismo.
O portão fechando tem som de alívio.
Passos apressados na noite fria. Faltam seis quarteirões para a parada do ônibus. É a última vez que o caminho é feito. Os postes, o asfalto, os muros das casas, tudo parece se despedir. Ele está feliz por ir embora. Pensa como Ela deve estar chorando agora, com a cabeça enfiada em um travesseiro na cama deserta. Ali, a vida voltará à normalidade.
Na parada, apenas uma senhora, a bombomzeira.
- Quanto é a menta?
- É dez.
No ônibus, não resiste a um cochilo. Fecha os olhos, mas as ruas esburacadas o impedem de continuar sonhando. É hora de acordar.
- Acho a minha vida tão legal que não a trocaria por nada – diz ao cobrador.
- Sorte sua.
- Por que você é cobrador?
- Não estudei.
- Muito chato estudar, não é?
- Não sei. Nunca estudei.
- Pois fique sabendo que é chato, mesmo. Tem que ler muito. E na maioria das vezes são só aquelas coisas que o professor quer. Quase nunca nós temos a opinião aceita.
- Pelo menos vocês podem dar opinião.
- Você pretende ficar nessa vida pra sempre?
- Pra sempre, não. É muito tempo, não achas?
- Realmente. Odeio tudo que é pra sempre. Estou sempre mudando, inventando novos rumos.
- Aqui não tem como mudar muito. Todo santo dia é o mesmo caminho. Sem tirar nem pôr.
- Pó, deve ser um saco.
- Um saco? Saco é apelido! Só estou aqui porque preciso sustentar a minha família. Sabe como é: com mulher e filho, só sobra pro papai aqui.
- E a sua mulher, não trabalha?
- Que porra nenhuma. A única coisa que ela sabe fazer é fuder.
- E faz bem?
- Ô, se faz! É a minha recompensa por esse castigo diário.
- E o seu filho, tem quantos anos.
- Nenhum, ainda. Está com 6 meses de vida.
- Legal, cara. Cuida bem dele. Assim que estiver crescidinho, põe ele numa escola.
- Coisa que a minha mãe não fez...
- Por quê?
- Por que ela morreu no parto. E o meu pai me deixou com a mãe dele. Dizem que ele está no estrangeiro. Nunca o vi. Não tenho a mínima idéia de como seja.
- Que barra, hein.
- Nem me fale.
- Mas só por estar vivo, já devemos agradecer.
- É o que eu faço todas as noites antes de dormir. Agradeço muito pela vida que eu tenho. Apesar de não ser das melhores, existem muitos que não sabem o que é ter uma janta quentinha à noite.
- Cara, tenho que ir! Quase eu passo da parada! Te cuida!
- Pode deixar.
Ele puxa a cordinha, a luz pisca e vai parar no cachorro-quente da esquina.
Ele não pensa mais nela. A não ser se ela entendeu o significado do segredo revelado. Se é que Ela notou que aquilo era um segredo. Vai ver Ela ainda está curiosa pra saber que diabos de segredo Ele anda escondendo. Se Ela perguntar, Ele jurou que não vai responder. Odeia as coisas explícitas.

sábado, dezembro 24, 2005

Sem maiores ambições

Como um garotinho prestes a entrar na 1ª série, não tinha nada pra fazer e resolvi ler o conteúdo programático do curso (pela segunda vez) - pra eu me excitar um pouquinho. Aí, me deu na telha de brincar no Corel com tudo aquilo. Comecei a arrastar o mouse, criar alguns layouts, achei uns sem graça, deletei, fiz outro e mais outro. A lâmpada acendeu de novo e tive a idéia de criar um "baralho-guia", onde em cada carta se lia o programa de uma determinada disciplina, acompanhado da bibliografia, ao lado. Achei que ficou o maior barato. Pretendo levar à uma gráfica e fazer uma reprodução pra mim. Mas aí descartei a idéia do baralho. Serão oito sanfonas de papel, cada uma referente a um dos semestres. Ficou bonito. Simples, agradável e prático. Outro dia eu posto uma foto dele pra vocês conferirem.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Mudei - de novo?

Vindo de mim, até que é crível. Sim, enjoei do projeto gráfico que eu havia criado para a Exposição e inventei outro, com um visual mais moderno ao meu ver. Desta vez, decidi valorizar mais as fotografias do Luiz. Mas a principal razão do meu "enjôo" foi quando comecei a passar os textos para os painéis. O @#$%&*! do meu chefe ADORA usar Comic Sans e condenou-me a colocá-las como fonte padrão, o que não seria problema, exceto pelo fato de que eu ODEIO, DETESTO, NÃO SUPORTO COMIC SANS! Como a Times New Roman, é uma fonte muitíssimo manjada por aqueles que não sabem escolher outra.

- Ué, isso quer dizer, então, que são fontes que funcionam bem. Em time que está ganhando...

Não! Não! Não! E NÃO! Se fosse por isso, o mundo não evoluiria, pois "todos estão acostumados e vivendo bem com o que tem!". Muito Aurea mediocritas isso. O fato é que eu reservei boa parte da minha valiosa tarde de folga dando uma olhada em todas as fontes do meu computador pessoal, porque o objetivo do Luiz é utilizar uma fonte que não seja muito séria ou "que dê preguiça de ler". Achei uma bem simpática chamada Andrew Script. Adotei-la. Mas, como dito anteriormente, ela não se saía bem no fundo que eu havia feito (muito menos a Comic Sans. Prefereria usar a Ferrite, mas o @&#%$!* do Alcemir implicou com ela, dizendo que algumas letras poderiam ser confundíveis com outras. Não concordei, mas perdi a batalha - não a Guerra).

Após horas de testes com vários layouts de uma tarde só, fiquei mais do que convencido de que a última versão dos painéis está melhor que as demais. Um dos pedidos do Alcemir era o uso de imagens grandes. Esse desejo eu acatei, e em cada painel duplo contém uma foto enorme (2 x 2 m), relativa ao tema abordado (como de praxe!). O título e o texto estão acomodados em um retângulo de bordas arredondadas e preencimento na cor branca 50% transparente. Sutil. Moderno. Clean. Quanto ao lado do painel reservado às fotos, inicialmente pus a metade da foto de fundo sob retângulo branco 50% transparente, o que adorei, mas prevendo que o Luiz prefereria o contraste apresentado na "geração" anterior, mudei para preto 35% transparente. Assim, embora preferindo o branco 50%, notei que as fotos tiveram um realce melhor, pareciam estar "acesas". Logo abaixo das fotos (as quais ficaram no limite de 80 cm do solo, para uma visão melhor do visitante), uma espécie de sub-título relacionado ao assunto tratado em branco 50%.

Na quinta geração as fotos não são coloridas. Dei a elas um aspecto de foto antiga, seguindo o padrão de cor de cada painel, que vai do verde musgo (o primeiro) ao marrom (painel central, na ordem de disposição), voltando novamente ao verde musgo (último painel), em um degradê de um painel ao outro. Portanto, serão vistas fotos antigas com tons "normais", como o sépia, amarelados e esverdeados. (Ainda espero ansioso as opiniões do pessoal. Espero muitas críticas. É sempre saudável esperar pelo pior, para que eu não me sinta surpreso com más notícias. Mas estou ciente de que o meu trabalho é artístico, e na arte vale tudo.)

Outra coisa que eu não gostava na geração 4 era a utilização de duas fontes. Pra mim, isso ocasiona uma perda (considerável, na minha opinião) na estética do painel e da leitura. Nos painéis atuais apenas uma tipologia foi adotada, a Andrew Script. Isso chama-se padrão, e eu boto a minha mão no fogo por ele.

D E S E N C O N T R O
- Mãe, qual que tu achas melhor, esse [mostrando um painel da 4ª geração] ou esse [mostrando um dos novos painéis]?
- O primeiro!
- Mas, por que, mãe? - pergunto, desapontado.
- Porque as fotos estão coloridas, dá pra gente ver o que tem nelas.
- Mas, mãe[aí eu ampliei o zoom no painel da V geração], não dá pra ti enxergar o que tem aqui?
- Tô vendo o Alcemir, a paxiúba [uma árvore que tem espinhos em suas raízes]...
- Então?
- Mas aquele tá melhor.
- Aaaaaah! Vó! Vem cá! Qual desses painéis tu achas que tá melhor, o primeiro ou o segundo?
- Ah, o segundo! [o atual]
- Por quê? [sempre pergunto o porquê das coisas pra saber se a pessoa tem opinião mesmo]
- Porque tá mais bonito.
- Tá vendo só, mãe! A vovó concorda comigo!
- Égua, esse aí parece foto antiga - diz a mamãe, se referindo ao painel da 5ª geração.
- Mas ESSE é que é o objetivo!
- Mas isso é que tá bonito! - diz a vovó.
Mais tarde, perguntei pra mamãe qual fundo ficava melhor no lado das fotos, o branco 50% ou o preto 35%.
- O branco tá melhor.
- Por que, MÃE?
- Porque o preto contrasta com o outro lado, ora...
- Mãe. MAS ESSE É O OBJETIVO!!!

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Viva Mozart, Bach e cia.!

Saí encantado do Theatro da Paz após a excelente, belíssima, inesquecível, extasiante e emocionante apresentação da Orquestra Sinfônica Brasileira, sob regência de Roberto Minczuk, que deu ares de "concerto didático", já que entre uma obra e outra sempre pegava o microfone para explicar algo.

Sempre me arrepio no início dos concertos, ainda mais neste que abriu com a Sinfonia nº 40 de Mozart. Apesar de ter sido executada num ritmo um pouquinho mais lento do que estava habituado a ouvi-la, meus pêlos eriçaram facilmente. Incrível. Viva Mozart!

O repertório seguiu com mais duas composições de Wolfgang (ária nº 3 da Ópera Zaide - "Auftiritt" e Aleluia), a Sinfonia nº 5, de Schubert, "O Messias - Rejoice", de Haendel, finalizando com a maravilhosa Cantata nº 51, de Bach.

O público aplaudia com extremo entusiasmo. Sem dúvida, foi o concerto mais emocionante que já vi. Seis bis. Isso mesmo, SEIS BIS!!! Ganhei meu ano!

- - -

Fazia tempo que eu não postava. Andava com muita preguiça ultimamente. Mas creio já estar ao menos parcialmente recuperado.

Aproveito para postar um texto, de Mário Sérgio Conti, que me conquistou pela simplicidade com que foi pensado:

"Querido Senhor Rototo,
Gostei demais do filminho. Vocês cantam muito bem! Obrigado à família Turquier, a mais engraçada de todas as famílias do mundo!
Sinto muito a sua falta.
Grandes beijinhos,
Lina

***
Querida Lina,
Você assoprou bem as velinhas, como eu disse no filme? Fico contente que você tenha gostado do filme.
Hoje fui ver um anestesista por causa do meu dedinho do pé que tem um osso a mais. Será preciso tirá-lo e isso se chama exostose. O anestesista me fará dormir durante a operação no dia 19 de outubro de 2005.
Rémi
PS: Não me chamo Senhor Rototo. Agradeço me chamar de Rémi.
PSS: Penso muito em você.

***
Querido Senhor Rototo (oooops! quer dizer, Senhor Rémi!),
Você vai ser operado num hospital? O que você vai fazer com o ossinho? Dá para me mandar o ossinho? Em troca posso te mandar o convite da minha festa de aniversário!
Já ganhei um presente: massa de modelar. Fiz com ela uma piada: um prato de espaguetes.
Penso sempre em você, não esqueça de me escrever.
Grandes beijinhos

***
Querida Lina,
Não vou ser operado num hospital mas numa clínica.
Não tenho certeza que eles me dêem o osso. Não posso te mandar o ossinho. Quero muito ver o convite do teu aniversário mas não poderei ir!
Poderei comer os espaguetes do teu prato?
Grandes beijinhos,
também penso sempre em você
Rémi
PS: Continue a me chamar de Rémi.

***
Querido Senhor Rototo - oops! Senhor Rémi,
Mas os espaguetes do meu prato são de massa de modelar! Você não poderá comer!
Depois de amanhã é a minha festa de aniversário. Como no ano passado em Paris faremos um baile de máscaras. Mas desta vez infelizmente o pirata não virá.
O jardineiro está penteando o jardim para a festa, e nós aproveitamos para colher um limão da árvore da vizinha.
Abraço, beijinhos,
Senhora Rototo

***
Querida Lina,
Se com a sua vara de condão você puder fazer com que os espaguetes fiquem verdadeiros... vou querer comê-los!
Na sua festa tinha um mágico?
O limão estava maduro?
O que quer dizer pentear um jardim? Os jardins no Brasil têm cabelos?
Rémi
PS: Penso muito em você,
PPS: Gosto quando você diz “pentear” um jardim: é engraçado.
PPS: A carta acabou.

***
Querido Senhor Rititi Petit - desculpe!, querido Senhor Rémi Petit,
Não tinha mágico na minha festa. Mas em compensação tinha um baile de máscaras. Ganhei de presente um cavalete de pintura.
Sim, o limão estava maduro. E fiz uma limonada com o limão.
Não, os jardins brasileiros não têm cabelos. Mas eles têm galhos longos e enrolados como cabelos. E é por isso que se pode penteá-los com ancinhos.
Já tiraram o seu ossinho? Dói?
Beijinhos, penso muito em você,
Lina
PS: Agora vou sair da cadeira do meu papai.
PPS: Fiquei presa e tento me levantar.

***
Querida Lina,
Serei operado hoje. Depois conto como foi.
E a limonada estava boa?
Vamos te mandar o DVD do espetáculo de fim do ano escolar 2004-2005. Ele está dentro de uma caixa verde e azul. A caixa é boa. E o filme que está dentro dela também. Dá para te ver um pouco e eu também.
Rémi
PS: Não sou Rémi Petit! Tenho quase a mesma altura da torre Eiffel.
PPS: Não tenho mais nada a dizer.
PPPS: A carta acabou.

***
Querido Petit Rémi - ooops, querido Rémi Tout Court
Penso muito em você.
Recebi o DVD do espetáculo de dança. Gostei bastante do filme e do cartão. Sinto muito mas não posso fazer limonada com os limões que estão dentro dele por três razões: 1 - eles têm os olhos de plástico; 2 - eles estão vazios; 3 - eles são de papel.
O que mais gostei no DVD é a parte em que os Zeus não entram para o agradecimento, e você espera eles com uma cara engraçada.
Gostei também do agradecimento no ensaio, onde a gente anda bem depressa, como se fôssemos robôs.
Fui ver “A noiva-cadáver”. É bem engraçado. Queria ter visto com você. Quando você ver o filme, pense em mim.
Tchau,
Lina
PS: Estou com fome.
PPS: Bem que gostaria de beber limonada com os limões do teu cartão.
PPS: A carta acabou.

***
Querida Lina,
Com a tua varinha de condão você poderia transformar os limões em limões de verdade para fazer uma limonada. Se você conseguir eu bem que gostaria de um pouco da limonada.
Anteontem tiraram o fio que haviam posto no meu dedinho do pé durante a operação. Doeu um pouco, mas agora já posso tomar banho porque o meu dedo do pé está normal ainda que esteja um pouco vermelho.
Rémi
PS: Penso muito em você.
PPS: Estou no alto de uma grande montanha.
PPPS: Daqui a pouco vou cair.

***
Querido Senhor Rémi,
Sinto muito, mas já te disse que minha vara (baguette) é falsa. E principalmente ela não é uma baguette de pão. E como eu poderia te mandar a limonada? De avião, barco, trem ou a pé?
Em todo caso há os limões do jardim da nossa vizinha. Eu poderia talvez esvaziar os limões e fazer com eles bonecos como os do teu cartão.
E o teu ossinho, onde está? Na tua boca? Na tua garganta. No teu intestino? No teu estômago? Nos esgotos? Ou no teu pé?
Tchau,
Lina
PS: Penso muito em você.
PPS: Vou fazer um bolo.
PPPS: Cuidado para não cair da montanha.
PPPPS: A carta acabou.

***
Querida Lina,
Sinto muito, mas tinha esquecido que a tua varinha era falsa.
O osso que tiraram não está mais no meu pé, ele ficou na clínica.
Você poderia me enviar fotos dos limões?
Traga a limonada a pé, é mais rápido.
Rémi
PS: Penso muito em você.
PPS: Tentarei não cair da montanha.
PPPS: Você me respondeu bem depressa!
PPPPS: Não tenho mais nada a dizer.
PPPPPS: A carta acabou.

***
Querido Rémi,
Não tive tempo de tirar as fotos. Fui à praia. Fiquei lá 3 dias. Gostei bastante de ficar lá, à beira-mar. Também nadei numa piscina. Já sei quase nadar, e isso é verdade. E você, já sabe nadar? É bom nadar, não é? Quando eu puder nadar direito, te levarei uma limonada atravessando o oceano Atlântico e o Mediterrâneo nadando. É bastante, hein?
Beijinho,
Lina,
PS: Penso muito em você.
PPS: Queria te visitar logo.
PPPS: Agora vou comer raclette.
PPPPS: Também tenho que responder um email da Naama.
PPPPS: A carta acabou!
Querida Lina,
Se você quer me trazer limonada a nado, pelo menos monte num pato. Não sei nadar. Vou aprender daqui a pouco. A gente irá na piscina com a escola.
É engraçado que seja a mesma data em todos os lugares ao mesmo tempo.
Joseph me convidou para ver um espetáculo de mágica. Fomos no domingo, 11 de dezembro de 2005. A sala era enorme e nós éramos pelo menos 6000 pessoas. O mágico fazia truques de magia: ele fazia aparecer dentro de um cubo alguém que não estava lá antes. Num momento, bastou ele tocar piano para que o piano voasse. Sua especialidade era transportar pessoas de um canto ao outro da sala e as fazer aparecer e desaparecer.
Rémi
PS: Fiz esse email em duas vezes.
PPS: Demorei tanto tempo para responder porque meus pais não estavam muito em casa, e como são eles que escrevem, não podia continuar.
PPPS: E a raclette de um mês atrás, estava boa?
PPPPS: Penso muito em você.
PPPPPS: A carta acabou.
Querido Rémi,
A raclette de um mês atrás estava deliciosa!
Fui ao cinema para ver o filme “A feiticeira, o leão e o armário”. É muito bom.
Você gostou do espetáculo de mágica?
Não existem patos no mar! Já sei nadar. Falando nisso, acabei de voltar da aula de natação e estou com o cabelo todo molhado.
Fiz uma exposição na escola sobre o Pólo Norte com um dragão que viaja por todos os países procurando sua mamãe.
O que você pediu para o Papai Noel?
Beijos, tchau,
Lina
PS: Penso muito em você.
PPS: Vou te esquecer se você não me escrever mais.
PPPS: Estou com muita fome porque aqui é hora do jantar. E aí é hora da merenda, e no Japão é hora do café-da-manhã.
PPPPS: A carta não acabou.
PPPPPS: Agora a carta acabou.

***
Querida Lina,
Se não existem patos no mar, você poderá procurá-los num lago.
Se não houver pato no lago, você poderá comprá-lo no mercado
Gostei bastante do espetáculo de magia... Vi também uma comédia musical de João Pé de Feijão. Ela era muito boa. Eles cantavam no começo e no fim:
“A história de João... João... Yeah yeah eh!
Do Pé de Feijão!”
Rémi
PS: Penso muito em você.
PPS: O mar é muito grande para que você nade sem um pato!
PPPS: Pedi ao Papai Noel para me trazer bolas de gude.
PPPPS: A carta não acabou.
PPPPPS: A carta quase acabou.
PPPPPPS: Dentro de pouco tempo a carta acabará.
PPPPPPPS: A carta acabou."

sábado, dezembro 10, 2005

O relâmpago

Milhões de anos atrás: alguns macacos tiveram a "brilhante" idéia de se tornarem humanos. Aí, resolveram autodenominar-se "os seres pensantes".

Chuva. Muita chuva. Fortes ventos. Como quem não quer nada, zimba para o chão um relâmpago berrando aos quatro cantos.

- É o deus dos Céus! - diz um carinha espantado. Para eles, o tal deus estava muito bravo com alguma atitude cometida pelos homens.

Passam dias, meses, anos, séculos, milênios. O homem ri do passado e zomba daqueles que acreditaram num deus que nunca existiu.

- Deus dos Céus? HA HA HA! Todo mundo sabe que os relâmpagos são provocados pela diferença de carga elétrica entre as nuvens e o solo!

O homem mal termina de falar e... Brummmmmm!

- Tá vendo? É castigo de Deus! - resmunga a avó.

BELÉM HOJE:

18h - Trio de Cordas
Local: Casa das Onze Janelas (Anfiteatro)

19h - Espetáculo teatral "Brinquedo Brincado", de Joelson Lenny
Local: Instituto de Artes do Pará (Anfiteatro)

20h - Espetáculo de dança "Floresta Amazônica - Em Busca do Paraíso", da Escola de Dança Clara Pinto
Local: Theatro da Paz

20h - Madrigal Experimental de Repertório. Regente: Adamilson Abreu. Fundação Carlos Gomes
Local: Igreja de Santo Alexandre

20h - Coral de Sinos
Local: Estação das Docas (Anfiteatro)

20h - Espetáculo "Lisistrata - Guerra do Sexo"
Local: Teatro Ernesto Pinho, do Ministério Público (Rua João Diogo, Cidade Velha, ao lado do Tribunal de Justiça)

20h30 - Espetáculo teatral "Café com Queijo", do Lume - Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da Unicamp (SP)
Local: Instituto de Artes do Pará (Sala de Dança)

20h30 - Filme "A Vida é Um Milagre", de Emir Kusturica
Local: Cine-Estação
R$ 7,00 (com meia-entrada para estudantes)

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Mostra Arte Final - parte II

Dor de cabeça, no corpo, quase com febre, mas eu não podia perder os vídeos lá no IAP. Cheguei atrasado e perdi o primeiro deles, "Plumas", que por sinal estava previsto para ser o último. Mas como eu acho que eles vão passar amanhã no vernissage do George Venturieri, não me apavorei tanto. Abaixo, maliciosos (ou não) comentários de cada um, a partir do segundo:

O Tao Caminho - Achei que fosse o mesmo vídeo que estava passando ontem no vernissage, mas era uma versão mais longa. A diretora Danielle Fonseca foi visitar a antiga casa do poeta Max Martins, na praia de Marahu, Mosqueiro, intitulada "Porto Max". "Eu já li tudo isso aqui. Se é verdade ou mentira, não me importa", diz Max. As cenas exploram bastante a "cabana de madeira" do poeta. Mostra ainda as obras (ferro contorcido, semelhante a origamis) da artista visual espalhadas pela praia. Frase que gruda na memória: "Todo vôo volta à sua origem".

Imagens Cruzadas - O diretor Fernando Segtovick decidiu realizar oficinas de vídeo com quatro grupos distintos: Movimento Missão Jovem; na Ilha de Cotijuba; na Igreja Luterana da Pedreira, através do Centro de Cultura Regional Iaçá; no curso de Comunicação Social da Unama. O resultado dessas oficinas foi a realização de vídeos onde cada um poderia contar a sua história. A idéia do Fernando era fazer um apanhado heterogêneo de quem mora em Belém. Se eu pudesse caracterizá-lo em uma palavra, escreveria "experimentação". Senti a falta de uma identidade para o filme. É uma mesclagem que poderia ser interessante, mas que foi mostrada apenas como mesclagem. Dos quatro vídeos inseridos, o mais técnico, mais bonito de se ver foi o do pessoal da Unama. Eles souberam muito bem utilizar o zoom (ao contrário de quem pensa que o zoom só serve para aproximar objetos/pessoas, ele pode produzir efeitos interessantes), o que ajudou a apresentar uma fotografia de qualidade. Não me agradou duas faixas escuras transparente no alto e abaixo no vídeo. Ficou com cara de amadorismo mal feito, mas que muitos acham bonito. Eu, não. (Há certas coisas no vídeo -efeitos, particularmente - que se não forem utilizadas do modo e na hora certa não caem bem.)

Os dois vídeos comentados a seguir (animações) são prova de que é possível tratar do regionalismo sem excessividade.

O Menino Urubu - É a história de um bebê abandonado no lixão. Um casal de urubus o encontra e cria como se fosse um filhote. A mamãe-urubu "batiza" o garoto de Carniça, achando ser o nome mais bonito. (Também, com um pai de nome Pirão...) Como todo filhote de urubu, Carniça aprende a voar, mas quando cresce, fica mais pesado e não consegue voar por muito tempo. Então, surge uma crise de identidade: "Por que eu tenho essas penas? [mechendo o cabelo] E esse bico dentro da boca? Por que o vento não me leva mais?" É aí que a ficha cai e ele percebe (finalmente) que é humano. Os pais dizem que todo menino humano vai para a escola. Carniça acha uma farda no lixão e sai rumo à escola. Mas o menino é impedido de entrar porque não foi matriculado. Baseado nos seus "poderes de urubu", ele vôa, cruzando o portão e consegue assistir as aulas do alto de uma árvore. (É a cena mais emocionante.) O final considero um tanto utópico, embora num filme desses isso não seja exatamente um problema, mas digo que é utópico em relação à interpretação que se faz. Onde está o regionalismo? Os personagens falam com um forte sotaque paraense ("Tu vais") e gírias características ("Égua!"; "Pai-D´Égua!"), os nomes dos personagens refletem o vocabulário da região (Pirão, Gorijuba, entre outros), a Av. Almirante Barroso, o ex-Colégio Lauro Sodré e a passarela laranja que liga os dois lados da pista. A animação não é lá grande coisa, mas vale pela experimentação - palavra que aliás é a espinha dorsal dessa mostra, para o bem e para o mal.

Adimirimiriti - Comecei gostando só por causa do título - nada de clichê. Criatividade. Os brinquedos de miriti ganham vida nas mãos de Andrei Miralha e equipe. O "ator principal" é um homenzinho de miriti que interage com os outros brinquedos: reza para a Santa; é bicado pelos passarinhos (aqueles que ficam bicando, um de cada vez, à medida que a bolinha amarrada a um fio é puxada para os lados); arranja confusão com os "homens do pilão". O enredo tem início com uma festa na qual o homenzinho acaba perdendo literalmente sua cabeça, que é chutada pelo seu par, a mulherzinha. Curiosas citações: cobra grande, o boi correndo atrás dos moradores, o Círio de Nazaré. Na cena da briga com o touro tem toques de Matrix, o que arranca gargalhadas inevitáveis da platéia. Há também três engraçados macaquinhos (ao estilo do Trio Manari ou coisa do tipo) que conduzem a trilha sonora. É tecnicamente superior aos demais. Torço para que seja selecionado para o CIneFest do ano que vem.

BELÉM HOJE:

Abertura da Exposição alusiva à Semana da Marinha, com exposição de objetos, fotos, equipamentos e vídeos das atividades da Marinha em nossa região.
Local: Estação das Docas (Boulevard das Feiras e Exposições)

9h - Lançamento do livro "A Ética do Rei Menino", de Gabriel Chalita, Secretário de Educação de São Paulo.
Local: São José Liberto

18h - Grupo Parafolclórico Sabor Marajoara (Caminho do Sol).
Local: Estação das Docas (Orla)

18h - Coral Adulto e Infantil do TRT
Local: Casa das Onze Janelas (Anfiteatro)

19h - Coral do Hospital da Aeronáutica de Belém.
Local: São José Liberto.

19h - Espetáculo de dança "Encantamento", de Marilene Melo e Cia. Roda Pará.
Local: Instituto de Artes do Pará (Jardim)

19h30 - Espetáculo de dança "Noite de Gala".
Local: Parque da Residência (Estação Gasômetro)

20h - Espetáculo de dança "Floresta Amazônica - Em Busca do Paraíso", da Escola de Dança Clara Pinto.
Local: Theatro da Paz

20h - Show "O Choro que Canta o Natal", com Adamor do Bandolim.
Local: Estação das Docas (Anfiteatro)

20h30 - Espetáculo teatral "Nêga, qui tu tem?", de Rutiel Felipe.
Local: Instituto de Artes do Pará (Sala de Dança)

ATÉ HOJE!

Exposição "A sombra dos esquecidos", do fotógrafo francês Mathieu Duvignaud.
Local: Instituto de Patrimônio Histórico, Artístico e Nacional (IPHAN). A galeria do IPHAN fica na avenida Governador José Malcher, 563, esquina com a Rui Barbosa. Visitação em horário comercial.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Mostra Arte Final - parte I

Promovido pelo IAP (Instituto de Artes do Pará), está em sua primeira edição. É uma espécie de "Feira da Cultura" de gente grande. No primeiro dia (2), iniciando com mais de uma hora de atraso, teve a apresentação de dois musicais ("O Som Subterrâneo" e "Doristi").

O primeiro, com direção de Argentino Campos de Melo pecou pela falta de organização. O carinha deve ter saído dali com dor na nuca, pois tinha que se contorcer todo para tocar no teclado, devido a altura da mesa improvisada. Argentino transformou poemas de Max Martins em música. Gostei do grupo no quesito "arranjo". Lembrou-me até o Los Hermanos em sua atual fase. Mas musicalmente, ainda ficou a dever. Outra falha: Argentino canta mal... Esporadicamente, chamava alguns de seus amigos (que eram cantores) para interpretar uma ou outra canção.

Seguida, o aguardado "Doristi", dirigido pelo professor da UFPa, Fábio Cavalcante. Doristi é um sistema harmônico "alternativo" que inverte a escala musical padrão, tornando-a decrescente. Outra caractérística do musical era a inversão das letras que eles cantavam. Teoricamente interessante, mas na prática, nem tanto. Saí na quarta música.

O dia seguinte foi bem mais apurado, com o espetáculo musical "Fronteiras", de Careca Braga. Careca mesclou ritmos regionais (carimbó, lundu...) com blues e jazz. O resultado me agradou em cheio! Vou comprar o CD deles! Pena que a platéia estava ansiosa para outra apresentação que ia ter na Sala de Dança, e grande parte foi logo formando uma fila. Ao final do show, a arquibancada já estava quase vazia... Desrespeito.

80 Já Era!, de Nando Lima causou-me surpresa ao entrar na Sala de Dança. Tecnicamente interessantíssima: eles dividiram a sala ao meio, colocando um telão sem fundo preto. Assim, a platéia que estava à frente e a que estava atrás do telão acompanhava as mesmas imagens. A iluminação é um espetáculo à parte. Nota dez para Patrícia Gondim. No entano, duas falhas irritantes fizeram com que não merecessem a mesma nota da Patrícia: roteiro e atuação. Assistam quando puderem e confiram.

No domingo, 4 e na segunda, 5, preferi aproveitar a preguiça em casa. Dia 6 fui para a vernissage do S. Antar Rohit (fora da programação da Mostra) na Galeria da Residência. COmi muitos salgadinhos e bebi um drink delicioso de tangerina!

Voltei às atividades da Arte Final ontem, 7, para conferir a vernissage O Tao Caminho, de Danielle Fonseca. Não gostei. Colocaram um vídeo para ficar passando em uma das paredes, então não dava para ver direito os títulos das obras, devido a (falta de) iluminação correta. Tem duas obras com o mesmo título (Advento 3). Todas elas são inspiradas em poemas de Max Martins (de novo na área!). São esculturas de ferro contorcido. A impressão que me deu era que tinham alguma coisa a ver com "voar". Em uma das cenas do vídeo, aparece uma frase escrita por Max: "O vôo sempre volta à sua origem". Em seguida, aparecia um provérbio chinês com o mesmo significado. Danielle juntou as coisas e fez aquilo que só ela pode dizer o que realmente é.

BELÉM HOJE:

Local: São José Liberto
18h – Recital de Violinos (Fundação Carlos Gomes)

Local: Anfiteatro
19h – Vídeo “O Menino Urubu”, de Fernando Fernandes (15 min)
19h20 – Vídeo “Admirimiriti”, de Andrei Miralha (12 min)
19h30 – Vídeo “Imagens Cruzadas”, de Fernando Segtowick (15 min)
19h50 – Vídeo “O Tao Caminho”, de Danielle Fonseca (5 min)
20h – Vídeo “Plumas”, de George Venturieri (7 min)
21h – Programa Cultura Pai-D´Égua, da Tv Cultura, ao vivo, direto do IAP