quarta-feira, novembro 16, 2005

Escrevendo os retratos do cotidiano

Essa mania de escrever todos os dias me pegou de jeito. Antes eu entrava na internet para ficar bisbilhotando a vida dos outros no orkut, em fotologs e em blogs. Agora, fico os 15 minutos que eu passo no ônibus, do cursinho à minha casa, pensando sobre o quê escreverei.

Estou lá vendo as ruas passarem e tentando decidir um assunto. Em 90% dos casos (não comprovados cientificamente), aquilo que eu decidira perde a validade assim que eu me posto diante desta tela, onde acaba aparecendo um tema, a meu ver, mais interessante. Na verdade, raramente escrevo sobre um determinado assunto, por assim dizer. Gosto de contar sobre os meus dias. Valorizo mais a subjetividade. Vez por outra, porém, acabo caindo em devaneio sobre um certo assunto.

No primário e no colegial nunca fui muito fã da leitura. Talvez justamente por isso eu odiasse tanto as aulas e as provas de Redação que me eram "oferecidas".

O primeiro livro que me chamou a atenção foi o "Desculpe a Nossa Falha", da querida Fernanda Esteves. O motivo: pela capa (uma televisão de cabeça pra baixo e uma casca de banana jogada no chão), achei que fosse um livro de piadas. E assim fui virando cada página. Quando acordei, já era tarde. O prazer da leitura estranhara-se, sem vontade de sair. Mesmo não sendo de piadas, o livro tinha um forte lado cômico, pois contava as aventuras de uma quase-jornalista (estava terminando sua graduação na UFRJ) a partir de sua entrada na Rede Globo. O livro me conquistou de tal maneira que o reli três vezes e quase entrei para a faculdade de jornalismo. Até descobrir que eu não gostava de escrever...

Acredito que quem gosta de escrever, pode escrever sobre qualquer coisa. Eu, não. Se eu fosse jornalista e me mandassem fazer uma matéria sobre um assunto que eu não gostasse, acabaria me desiludindo com a profissão. Isso provaria que eu posso até gostar de escrever, mas não à força, obrigado, mandado. Faço isso por prazer, um hobbie, até. Obrigação? Tá difícil.

Pode ser que também seja mais uma das minhas fases de blogueiro. Sim, já tive outros blogs. Este é o quarto, que apresenta semelhanças ao primeiro, no qual eu contava também sobre a minha vida sentimental, algo fora de rota aqui. No segundo eu procurava retratar a minha vida de "sapólogo", relatando as minhas pesquisas de campo. Já o terceiro era quase inteiramente focado nos meus sentimentos. A partir dele, eu contava o que eu sentia para a garota pela qual eu estava apaixonado na época, pois ela era uma das escolhidas para lê-lo, embora não declarasse isso "oficialmente".

Sou um homem de fases. E torço para que isto não seja uma delas. Um dia que eu passe sem postar pode ser um mau sinal. Ou também pode me incentivar a escrever dois posts em um só dia! Nada mau para quem não gosta de escrever.

terça-feira, novembro 15, 2005

Passando o tempo em dia de feriado

Passei o feriado fazendo um vídeo para a aula de inglês. É que a professora dividiu a turma em grupos, e cada um deve dar uma aula sobre um assunto pré-escolhido. Como eu nunca me mobilizo pra formar grupos com gente que conheço há pouco tempo, fiquei naquele famoso grupinho dos "não escolhidos".

Grupo formado, assunto em mãos: "Negative adverbs at the beginning of a sentence". Era um minúsculo tópico do livro. Mal chegava a dez linhas. Aí, a teacher disse que cada um ficaria com uma função: ler, explicar, vocabulário e corrigir o exercício. Como eu já sabia que um ia querer explicar, outro espertinho , ler, e outro ficar com outra parte fácil (corrigir a atividade), ofereci-me, então, para explicar o vocabulário.

Ficou marcado que a nossa apresentação seria duas semanas mais tarde. Já que todos moravam longe uns dos outros, nem marcamos de nos reunir. Apenas dividimos o que cada um ia fazer e pronto. Só que como eu sempre tenho boas idéias, e o primeiro grupo teve uma apresentação bacana, mostrando videoclipes, inclusive, resolvi fazer o tal vídeo. O pior é que eles nem sabem que eu estou aprontando isso.

Ele é divido em cinco partes: "abertura", "advérbios de negação", "como são formadas as sentenças?", "exercício 1" e "exercício 2". A identidade visual é baseada em figuras de 1 bit (estou viciado nisso), onde a cor equivalente ao preto é o azul marinho. A trilha sonora é composta por trechos instrumentais de "Unchain My Heart", by Ray Charles e "Let's Twist Again", by Chubby Checker. Inspirações: MTV, Fox e a arte de uma reportagem sobre o Google, veiculada na revista Superinteressante.

Só estou curioso para saber qual a reação dos outros integrantes do grupo, já que cada um havia se preparado de um jeito. Para ajudá-los, planejo fazer uma espécie de guia do vídeo, colocando em tópicos o que vai aparecer e o momento em que cada pessoa vai falar. Espero que eu não cause confusão...

segunda-feira, novembro 14, 2005

Club anti-social

Para algumas pessoas, ver alguém conhecido na rua, ônibus, teatro, cinema, show, curso etc e não falar com ele por dois motivos: ou eu acho que a pessoa não vai me reconhecer, ou simplesmente porque não tenho assunto aquele dia, a não ser que eu esteja de (muito) bom humor; não ter assunto para conversar em um barzinho ou mesmo no MSN; não tecer comentários em uma conversa, apenas concordando com o que a pessoa fala por pura indisposição de falar...; não dar "bom dia", "boa tarde" ou "boa noite" ou falar isso bem baixinho; não saber fazer amizades. Elas são apenas conseqüência de alguma coisa...; parar de cantar no banheiro quando percebe que alguém se aproxima; não participar das confraternizações do trabalho; fazer parte do grupo "que sobrou", na escola; ser "o caladão"; ficar quietinho no seu canto; não dançar em festas; discordar da maioria, enfim, tudo isso é o bastante para eu ser tachado como "anti-social".

Auto-estima está intimamente relacionada à anti-socialidade. Quanto maior uma, menor a outra, e vice-versa. No entanto, a timidez pode ser um fator preponderante para um cara anti-social ser visto como tal. Se eu não tenho assunto, paciência. Você também não tem! Não me exija aquilo que você não faz. Se eu fico no meu canto, por que você não me chama? Porque você é anti-social ou porque tem medo de mim? Se eu não comento o que você fala deve ser por duas razões: ou você fala pra burro ou o assunto é tão desinteressante que eu estou tão ligado na conversa quanto uma lâmpada queimada. Ah, e se eu não falei com você na rua (ou em qualquer outro lugar), por que você não falou comigo?

domingo, novembro 13, 2005

Buh!

Lá ia eu caminhando calmamente pela rua escura, após tomar um guaraná com flocos bem gelado, quando uma fantasma aparece na minha frente. Na verdade foi na calçada, no outro lado da rua. Se bem que eu até já esperava por isso, já que estava na rua da casa da fantasma. Perguntou-me o que eu estava fazendo por aquelas bandas. Embora não fosse da sua conta, acabei dizendo que era por causa do cursinho onde estudava, que ficava lá perto.

- Ah, eu ia dizer pra você falar com o Nader...

Estranhei. Por que diabos eu teria que falar com o Nader?

- É que ele também gosta das mesmas coisas que você, trabalhar com arte no computador, aí pensei que vocês poderiam conversar. E ele diz que não é preciso você fazer um curso, se formar, para aprender a fazer essas coisas. Que nem a minha irmã, que é jornalista, mas aprovaram aquela lei [ou decreto] segundo o qual não é necessário ser jornalista para escrever matérias...

Como sempre, eu só fiquei pensando e, a ela, concordando com tudo. Mas eu prefiro economizar as minhas ações de "respondão". Não preciso disso. Mas a fantasminha ainda não percebeu que eu não quero as artes como segunda opção na minha vida, predominando o campo científico (biologia). Pelo contrário. Estou convencido de que eu entrei na biologia, não pela matéria em si, muito menos pelas aulas, mas por ser um assíduo telespectador de documentários e programas educativos, principalmente os da tv Cultura. Aí, achei que queria ser professor de ciências e por isso entrei no curso de Ciências Biológicas.

Até que o professor de Invertebrados I (o Zé Antônio) proclama em alto e bom som (que ainda ecoa dentro de mim): "Se você entrou neste curso por causa dos documentários do Discovery, do National Geographic, do Globo Repórter e etc, você está no lugar errado! A biologia, o trabalho científico, não é aquilo! Aquilo são imagens bonitas, bem fotografadas, com uma bela trilha sonora de fundo, que não é o biólogo quem faz." Pronto. Estava instalado o caos, onde passei a morar durante intermináveis meses.

Hoje, tenho a consciência de que o curso de Artes Visuais e Tecnologia da Imagem é o que pode me satisfazer mais, pois é aquilo que eu sei e gosto de fazer. Claro que para isso eu me sacrifico, me esforço. É mais diversão do que obrigação. Portanto, cara fantasma, vá assustar outro!

sábado, novembro 12, 2005

Zzz...

Dormir sempre foi um problema para mim. Pequeno, uma das coisas que os adultos mais lutavam comigo era para me fazer dormir à tarde. Até hoje, nunca consegui - salvo raríssimas exceções, como quando eu ia para a Ilha dos Papagaios, de madrugada, já que, de volta, o sono era inevitável. No entanto, lembro de um costume que eu tinha: quando estavam todos dormindo, após o almoço, o tédio queimava os meus miolos, prostrava-me de bruços contra a poltrona (ficava de joelhos), e enfiava a cabeça entre os travesseiros. E dormia.

De uns tempos pra cá, comecei a achar o sono extremamente dispensável. Calma, eu sei que dormir faz bem para um bando de coisas, e infelizmente esse é um jeito imutável de se viver. Mas já pensou como será no dia em que inventarem a "pílula da insônia", aquela que dá a você 5 minutos de repouso que equivalem a 8 horas de sono "normais"?

Por um lado seria uma maravilha, porque teríamos praticamente as 24 horas do dia completas para fazermos as nossas atividades. A armadilha é que, indubitavelmente, os "donos do poder" (ou aqueles que se acham assim - e muitas vezes são!) aumentariam ainda mais todas as cargas horárias que possam existir: mais tempo na escola, no trabalho, o Jornal Nacional seria mais longo e acabariam com os rótulos de "noturno", freqüentemente pinçado sobre as pessoas que não gostam de dormir cedo, já que dormir seria apenas um - quase imperceptível - detalhe.

Outros males que, porventura, viriam: os horários de desconto das ligações telefônicas mudariam ou se extinguiriam? A violência aumentaria ou continuaríamos não podendo sair à noite de nossas casas, com segurança? Porque, vejam bem, é um estilo de vida que estaria em jogo. As horas continuariam as mesmas, apenas passaríamos a dormir menos (se é que se pode chamar meros 5 minutos de sono...).

É bom ressaltar que as tradicionais sestas após o almoço provavelmente persistiriam, pois, segundo o que me ensinaram, é o sangue que desce da cabeça para o estômago a fim de auxiliar na digestão. A não ser que até lá também inventem uma pílula com enzimas poderosas que cumpram esse papel.

Enquanto esse dia não chega, vou permitir a aproximação do sono. Na noite anterior, dormi apenas por três horas. Só descansei à tarde, de uma às três. Bem que tentei dormir, mas os Strokes não me deixaram.

sexta-feira, novembro 11, 2005

Na sala do chefe

Trabalhar na mesma sala que o chefe tem suas vantagens: você fica sabendo 90% das coisas que "rolam" no setor; acompanha as conversas do chefinho com funcionários, estagiários e desconhecidos; em seguida, o chefe faz suas confissões a você a respeito de cada episódio; por não ter a chave da sala, você é obrigado a faltar todas as vezes que o poderoso viaja; e visualiza o seu chefe como uma pessoa tão normal quanto a sua mãe.

Mas o que me fez escrever foi o seguinte episódio: a Daniele, estagiária há alguns meses, também (como eu) ex-pesquisadora mirim, chega na sala para falar com o Luiz. Ela senta, mas permanece em silêncio, esperando que o chefe se desocupasse do que estava fazendo no computador. Após algum tempo...

- Quer falar comigo, Dani?

Eu só rindo, baixinho, pela ironia do Luiz.

- Queria... É sobre as minhas folgas (todos os anos o Luiz dá duas semanas de folga - uma em julho e outra em dezembro). - Mostra um papel mostrando o seu cronograma de folgas. - Porque tem também aquelas referentes à Pororoca (evento de divulgação científico realizado anualmente no Museu), aí eu queria te mostrar...

Aí começou a "mijada" do Luiz. Insinuou que a Dani não deveria tirar tais folgas, pois, na prática, ela já havia tirado quando pedia para assistir palestras e/ou outros eventos vinculados à faculdade. Segundo o chefinho, não importa o motivo pelo qual a pessoa não foi trabalhar, aquilo já era uma folga que, conseqüentemente, eliminaria qualquer outra que viesse adiante.

- Sim, Luiz, mas é direito de todo estagiário poder pedir dispensa do trabalho para participar de algum evento do curso.

- Direito? Onde é que tá escrito isso? Me mostra esse estatuto, que eu não sei da existência dele, não o conheço. Todos os estagiários têm direitos, mas também têm deveres que, muitas vezes, aqui, não são cumpridos. Se tu me vens com um direito, eu te mostro um dever.

O Luiz estava, realmente, muito puto.

- Tá, tudo bem, então quer dizer que eu não posso tirar essas folgas, né? - falou, já sem esperanças.

- Não, não é isso que eu tô te dizendo. Tô falando que tens que pensar um pouco sobre o que tu fazes. (Aí ele me citou como um "bom exemplo" de como era a nossa relação estagiário-chefe, onde prevalecia o bom senso.

Tudo isso durou uns 10 minutos (praticamente um monólogodo Luiz). Ao final, a Dani saiu de lá toda cabisbaixa. Depois, o Luiz veio me falar que ela chegou um dia às seis da tarde para dizer que folgaria no dia seguinte, pois iria assistir a um seminário referente ao curso da faculdade e que o mesmo, segundo ela, era obrigatório, o que ele achou um absurdo ("Custava ter avisado atencipadamente?"). Para completar, ela ainda não havia entregue uma nota fiscal muito importante para que o Luiz pudesse fechar um relatório e enviar à Fadesp. Em outras palavras: o Luiz uniu o útil ao desagradável e ficou de cara feia para o lado da Dani.

E M T E M P O :

» Sim, os chefes peidam. E como. Hoje, por exemplo, chega a Teté (amiga dele) e logo após ele diz: "Teté, já viste como tá o meu dedo?". A Teté pega no dedo e... PUMMMMMM! (Coitado de mim, que estava atrás dele!).

» Toda vez que o Luiz peida silencioso (justamente aqueles que fedem mais), o Alcemir, quando está na sala, chama alguém para entrar, de propósito, claro.

quinta-feira, novembro 10, 2005

A batalha da quarta geração

Sabe quando você já fez o que tinha pra fazer e depois fica só embromando, "inventando" coisas pra passar o tempo? Estou (novamente) nessa fase, no trabalho.

Já terminei a arte de todos os painéis da exposição. O que falta, estou dependendo de terceiros (textos, legendas e revisão). Enquanto isso, fico terminando de transformar as figuras para CMYK e só.

Mas como eu sempre acho que ainda não está perfeito, inventei de mudar as cores (de novo!) dos painéis, pois, na minha visão, apresentava falhas. Erros corrigidos, resolvi exportar todos os painéis como figura .jpeg no padrão CMYK para ver como ficaria a impressão. O único problema apresentado foi quanto aos tons de verdes, que pareceram mais amarelados do que o original. Todavia, no geral, ficou "ok".

Aí chega o Júlio, da gráfica, e diz que deverá haver uma "sobra" de 8 cm à direita e à esquerda de cada painel separadamente, equivalente à dobra da lona na armação de ferro. Fiquei logo puto. Ora, se eu desenvolvo uma arte de um jeito "x", ela não pode ser apresentada de outra maneira. Em outras palavras, o "corte" influencia negativamente na diagramação. Esperei ele ir embora e fui falar com o Alcemir a respeito da minha insatisfação. Não demorou para que o Alcemir ligasse ao Júlio, perguntando se o corte não poderia ser menor, pois "8 cm é muito!". (Detalhe: o animal estava na sala quando o Júlio falou que a sobra seria desse comprimento). Minhas preces foram (pelo menos parcialmente) atendidas e o corte diminui para 2 cm de cada lado. Assim está melhor (dentro do possível).

Após ajustar cada painel para os benditos cortes, minha caça ao "que fazer" encontrou o painel da apresentação ("chamada"). Em fato, um foi conseqüência do outro. Tive que separar as partes do título, 2 cm à esquerda (no painel esquerdo) e 2 cm à direita (no painel direito) para que na hora de dobrar a lona na estrutura de ferro, não houvesse perda de nenhuma letra.

O próximo passo é tentar ajustar melhor as cores para que a diferença entre RGB (aquilo que é visto no computador) e CMYK (aquilo que é impresso) não seja tão grande no que diz respeito às tonalidades do verde.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Quatro gerações de idéias

Quando o Luiz me convidou para voltar a trabalhar no SEC, atuando na área de diagramação visual, a primeira coisa que eu fiz (sem a prévia autorização dele) foi dar uma olhada nos painéis que o Jonilson estava fazendo para uma exposição sobre o Projeto desenvolvido em Trombetas. De cara, não gostei. Apresentavam um aspecto pouco inovador, utilizando-se de recursos limitados do Corel, como os padrões de fundo. Parecia “trabalho de cartolina”.

Pseudo-ingenuinamente, comecei a fazer as minhas versões dos painéis: o fundo, ao invés de simples e pobres, utilizei uma foto grande (que tivesse a ver com o tema de cada painel) sob uma lente transparente colorida; o contorno das “fotos (cerca de 12 em cada um) do corpo”* do painel continha duas pontas em curvas e duas em retas, diagonalmente opostas respectivamente, com um formato quadrangular (20 x 20 cm); as cores do título, do texto, das legendas e do fundo das legendas combinavam com a cor da lente sobre a foto de fundo; cada painel tinha uma foto principal, maior, e, embaixo dela, em fundo preto, o texto. Assim, pude acrescentar ao painel uma identidade, tanto individual quanto coletiva, ou seja, todos os painéis seguiram um padrão de disposição de fotos e texto, diferindo apenas no conteúdo (óbvio!) e na coloração.

“Sem querer”, deixei que o Luiz visse um deles e eu disse que “não era nada sério”. Foi o bastante para que ele chamasse o Alcemir e o Luizinho para darem o veredicto. Devo, modestiamente, confessar que os meus estavam superiores ao do Jonilson: mais modernos, ousados e visualmente apresentavam uma identidade. Resultado: eu fiquei responsável por essa exposição, e o Jonilson foi remanejado para cuidar de outra (que curiosamente seria diagramada por mim).

Como eu me enjôo um tanto quanto rápido das coisas, acabei tendo idéias melhores para os painéis, o que culminou em uma segunda versão que intitularei aqui de “artística”. Ousei, novamente, ao propor outro formato (de 1 x 1,30 m para 1,20 x 1,50 m). Como fundo, fotos das cerâmicas produzidas pela comunidade com um efeito de aquarela. Sobre isso, uma lente com transparência colorida. As cores, antes vivas, passaram a ter um tom pastel, de terra. Embaixo das fotos “do corpo”, “bolsos” onde colocar-se-iam folders, revistas, cartilhas etc produzidas pelo projeto e que tivessem alguma vinculação com o assunto. O objetivo era dar interatividade aos painéis. O mais interessante era o painel sobre a cultura do barro, onde ter-se-ia uma espécie de arquibancada para colocar algumas peças de cerâmica.

No entanto, uma mudança me atingiu de surpresa: os painéis, agora, teriam tamanho gigante – 2 x 2 m! Sendo que eles seriam divididos em dois de 1 x 2 m. Fui extremamente contra porque tiraria a idéia do “todo” de cada painel. Mas como na minha mente, se tudo não acontece como esperado, sou obrigado a desviar-me com outro olhar, criando uma programação visual nova, assim o fiz.

Surge, então a terceira geração desses painéis, com algumas características que remetem à primeira versão (minha), como o uso de cores vivas. 2/3 do painel (para cima) seriam destinados ao leitor e 1/3, como ficaria a partir de 70 cm do chão, arranjei figuras em 1 bit, mas coloridas, formando uma faixa contínua que ligaria todos os painéis (embora, com cores diferentes).

O fundo do painel (como um todo) era uma única cor. Como as figuras da faixa do 1/3 era de 1 bit, a cor referente ao preto era mais escura que a cor do fundo, e a cor referente ao branco era da mesma cor do fundo (existe uma opção na qual podemos mudar as cores de uma figura de acordo com o número de bites, então era isso que eu fazia: primeiro transformava a figura para 1 bit, isto é, preto e branco, e em seguida eu substituía as cores para combinarem com a cor do fundo do painel).

No local onde estaria o texto e as fotos do corpo, o fundo era uma figura enorme de 1 bit, com uma coloração mais clara que o fundo do painel (a cor equivalente ao preto era da cor do fundo do painel e a cor equivalente ao branco era mais clara). A impressão que eu quis dar era a de uma tela de televisão, onde as fotos do corpo desfilavam. Essas fotos foram dispostas e recortadas propositalmente de maneira irregular, cada uma sobre um fundo preto de pontas em curvas e arestas igualmente irregulares (de forma que combinassem com as fotos).

Mas o fato dos painéis serem duplos causava a perda da noção do “todo” que cada um deveria ter. O inconformismo fez com que eu bolasse outra diagramação, a “quarta geração”, que apresenta características de todas as gerações: cores vivas, mas também em tom pastel; o uso de figuras em 1 bit.

Essa nova idéia tenta resolver o problema da “separação física dos painéis duplos”, pois as duas partes contrastam visualmente entre si (em relação ao fundo), mas apresentam elementos que permitem a ligação entre eles. De um lado, temos um fundo colorido (uma tonalidade), baseado em uma figura de 1 bit; de outro, um fundo totalmente preto. No lado “de cor” está o título e, logo abaixo, o texto; no lado “escuro”, à altura do leitor estão presentes as fotos do corpo, logo acima, um subtítulo referente ao tema central e, espalhados pelo fundo preto, figuras em 1 bit de fundo transparente (ressaltando apenas a cor equivalente ao branco, cor essa, posteriormente e obviamente substituída) com a mesma tonalidade do outro lado.

Dessa forma, mesmo separados, os painéis não perdem a identidade individual de cada um – baseada nas cores. A identidade coletiva fica por conta de um degradè, que vai do verde musgo ao vermelho, levando em conta a ordem dos painéis. Modéstia à parte, estão visualmente interessantes e, nas palavras do Luiz, “artísticos”. Espero que agrade.

* fotos do corpo são as fotos utilizadas para ilustrar as idéias apresentadas no painel, no “corpo” do painel, e não como fundo ou “meramente decorativas”

terça-feira, novembro 08, 2005

Quanto falta para chegar lá?

O tempo está se esgotando. E eu ainda não arranjei a coragem necessária para falar à minha mãe que o valor da matrícula do curso é de mil reais. Estou em um estado emocional pouco convidativo. Em semi-desespero, que inteirar-se-á quando o dia chegar.

Tenho pena da mamãe. Professora primária, lecionando em escola pública, recebe pouco mais de mil reais. Vou tentar "ajudá-la-me" com 380 reais (280 integrais da minha bolsa e mais 100 que estou guardando). De onde vamos arranjar os 640 restantes (ou mais, devido ao reajuste anual)?

Eu poderia tentar as "senas" da vida (com ínfima chance de conseguir o dinheiro). A minha esperança de contribuir mais para o valor é caso eu seja um dos seis vencedores do concurso de fotografias para o qual me inscrevi. Pretendo, então, vender o prêmio ou, se puder, trocá-lo pelo seu valor. A vovó também poderia ajudar-nos com uns cem reais (talvez até duzentos). Mais que isso, praticamente impossível, o que entristece-me profundamente.

Eu preciso fazer esse curso! Sou capaz de renunciar aos meus habituais programas (cinema, dvds, lanches, roupas, shows, balada) para conseguir pagar a faculdade. Estou literalmente me entregando. Espero que o Luiz continue me dando a bolsa, pois ela será o meu sustento acadêmico. E o curso, o sustento da minha vida.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Viver

A melancolia é imortal. Vejo os rostos na rua. Quantos e quantas não deixaram o seu sonho para trás em busca da sobrevivência de cada dia? O que você quer ser quando crescer? Pergunta insistente, ainda presente no abissal de suas memórias, quase esquecido. Os sonhos foram cuidadosamente embrulhados e guardados. E ali estão, adormecidos. Uma vida vegetativa, mais preocupada se vai ter comida amanhã ou se o dinheiro vai dar para pagar as dívidas.

O tempo não tem pena, tem pressa. Cada dia passa num segundo. E quando acordamos, temos a sensação de nunca termos vivido. Tudo recomeça. Problemas voltam enquanto novos aparecem. As ruas, apinhadas de gente que esqueceu o que é lutar pelos seus desejos. Estão mais atentos à novela das oito do que aos seus sonhos. Esses, são desprezados. São apenas sonhos.

Amanhã. Como vai ser? E depois? Ano que vem? Pra que esperar? Juntar dinheiro? E se eu morrer? E se todos morrermos? E quando morrermos?

Gira a Terra. A mente, então, gira duas vezes. Alguns ficam tontos e embarcam no que se chama "realidade". Mas há aqueles que fecham os olhos, concentram-se no agora e dormem. E sonham o presente, de contramão ao resto do mundo. Nesse grupo, certamente estão os mortais que são história para as gerações futuras. E assim, tornam-se imortais, bem como a melancolia que, por pouco, não levou seus sonhos embora.

domingo, novembro 06, 2005

Confissões de uma eterna paixão

Lá vem ela, após a despedida matinal da mãe, com seu rabo de cavalo e sua mochila amarela e azul. Uma menina legal, que me emprestou seu apontador cor-de-rosa com brilhos prateados. À primeira vista, paixão. Brincadeiras, todos os dias. Bate-papos quase incessantes de tão bons. Descobertas e curiosidades compartilhadas.

Alguns momentos continuam vivos em minhas lembranças, como se ainda estivesse ao meu lado: quando fui o seu par na quadrilha da primeira série; das corridas pelo corredor da escola, inclusive uma vez em que ela machucou a perna; do sotaque sulista; das cantaroladas entoadas nas aulas de Educação Artística ("dâu dâ rí dâu dâu" - aquilo que o pica-pau cantava enquanto andava); do casamento de mentira feito no aniversário do Eliaquim, na segunda série.

Terceira série. Ano opaco. Um período de tristeza pela perda da melhor amiga, que passara para o turno da manhã. Antes do ano terminar, insisti com a minha mãe para que eu também mudasse de turno. Fui atrás da minha paixão.

Primeiro dia de aula. Felicidade escancarada nos meus olhos. Lá estava ela. Ah, como eu fiquei feliz, explodindo por dentro por revê-la. Arranjei logo uma carteira bem próxima à sua. Meu coração estava começando a se recuperar.

Até a quinta série, não nos cansávamos de fazer parte do mesmo grupo de trabalhos. Brigávamos para ficar próximos um do outro. Lembro de uma ocasião em que ela brigou até com um menino por causa do lugar em que ela queria sentar. Seus cabelos estavam bem curtinhos. E em um dos encontros de "fazer trabalho", na casa dela, comi sagu pela primeira vez. Para nunca mais esquecer. Não há uma única vez em que eu coma esse troço que eu não a traga de volta, ainda que mentalmente.

Na sexta série, mudanças profundas entre nós. Se no ano anterior, ela havia me confessado de que eu era seu melhor amigo, este ano apareceram novos rostos interessados em sua amizade. Nem trabalhos mais fazíamos juntos. Conversas, poucas. Tão perto e tão longe. Dois amigos meus (Fabrício e Alan) inventaram de ficar afim dela. Fazer o quê? Lamentar.

1998. Mais uma vez roubam o meu amor, que vai estudar em outro colégio, bem mais caro. Se não fosse por isso, eu ter-lhe-ia seguido novamente. Deus deve ter rabiscado linhas muito tortas para as nossas vidas. Antes da despedida, escrevi um bilhete contando grande parte dos meus sentimentos. Só não falei que era afim dela, ou que por seis anos estive apaixonado poe ela porque era (e ainda sou) tímido demais para isso.

Só fui reencontrá-la dois anos mais tarde: eu, a Amanda (outra grande amiga), a Lu e... o seu namorado. Que baque! Mas quem era eu? Um tímido adolescente que usava óculos fundo de garrafa. Por que diabos eu ir-lhe-ia agradas algum dia, do modo como eu desejava?

O tempo flui. A metamorfose juvenil que ataca a todos nós moldou caminhos diferentes que talvez nunca se cruzarão (embora ainda exista a esperança de uma luz no túnel escuro se acender). Porém, ainda não encontrei um jeito definitivo de tirá-la do meu coração e das minhas lembranças (e não é por falta de tentativa).

Se o cupido agiu, sua lança continua presa em mim, mas acho que errou o outro alvo. É lamentável, entristece-me admitir que tudo está perdido, que eu não tenho chance (e se um dia a tive), que o passado é passado, que nós não combinamos. How can I go on?

sábado, novembro 05, 2005

Tv a cabo: estudo de caso

Cansei de tv a cabo. Este é o quarto mês consecutivo que eu pago o VMA (aquela taxa de suspensão temporária de programação). Eu já teria cancelado a assinatura, não fosse um dos parágrafos do contrato dizendo que ele é válido por um ano, ou seja, pagaria uma taxa absurda se não quisesse mais a anteninha.

Antes de ter essa maravilha eu achava que era realmente uma maravilha, que a qualquer hora que eu ligasse o aparelho, em ficaria em dúvida sobre o que assistir, pois todos os programas eram "imperdíveis". Confesso que no início, ainda empolgado pela novidade, eu não conseguia sair da frente da TV. Quando eu tinha que sair, deixava o vídeo gravando alguns programas. Eu vasculhava a programação da National Geographic Channel e do Discovery Channel caçando os programas mais interessantes. Demorou, mas percebi que era mais um vício de adquirir conhecimento do que propriamente interesse! Aí comecei a me ligar com mais freqüência nos canais de seriados. Virei fã de carteirinha de Desperate Housewives, esforçava-me para não perder um capítulo de Gilmore Girls, descobri a Fox (Miss Match, One Tree Hill, Simpsons, American Dad etc), deliciei-me com Minha Casa, Sua Casa. Na época do Oscar, então, a minha vida era o canal E!, de olho nas últimas notícias de Hollywood.

O tempo ficou apertado e a grana também. Fiquei apenas com o pacote básico, o qual para quem é exigente, é básico mesmo: o canal de filmes - TNT - só passa filmes dublados; o canal de séries - Warner Channel - só tem besteira (como OC, que eu ainda assistia, dada a falta do que fazer...), salvo raras exceções (como Gilmore Girls); o canal de desenhos era o Boomerang, o que eu raramente assistia. Os outros canais ficavam entre 90% e 100% de desprezo: Band News, ESPN e Rede Vida.

Então, se eu mal tinho tempo pra assistir bobagens, por que diabos eu continuaria pagando por elas? Hoje só sinto falta daquilo que eu citei nas últimas linhas do segundo parágrafo. E não acho justo desembolsar quase 80 reais para tê-las em casa. Se eu quero uma coisa "diferente", estou preferindo ir a concertos, a shows, visitar exposições, ir ao circuito de cinema alternativo ou alugar uns DVDs. É mais barato e não sou obrigado a pagar uma taxa a cada mês.

Ao pagar os VMAs de outubro (atrasado - novidade...) e novembro (adiantado - milagre!) o cara me falou que tais taxas só poderiam ser pagas no máximo três vezes ao ano. Ou seja, mês que vem (dezembro), serei praticamente obrigado a escolher algum pacote pra "assistir". E sendo assim, além do fato de ser o último mês do contrato e de eu estar de férias, não custa nada pegar os pacotes básico e avançado, a não ser os "quase 80 reais"...

sexta-feira, novembro 04, 2005

Entre as dívidas e a arte

Hoje eu tinha três tarefas para serem feitas: 1 - regularizar minha situação no BB; 2 - entregar as fotos pro concurso, e 3 - finalizar o vídeo-arte sobre o Círio.

Para realizar a primeira tarefa, eu teria que acordar bem cedo, o que não aconteceu. A televisão bem que tentou abrir meus olhos despertando os meus ouvidos com o volume na altura 25. Não deu. Minhas pernas só encontraram o caminho da escada às 9 e meia. Casa vazia = música em alto e bom som. Saí pouco antes das 11. Senha: 55. Banco: lotado. Senha no visor: 14. Nem titubiei. Voltar mais tarde pareceu-me mais sensato.

Pulei para a tarefa 3. Mudanças: coloquei o som dos sinos no aparecimento de cada foto; as fotos, ao invés de paradas, surgem em menos zoom; o título, "fé", em letras minúsculas mesmo, aparece no final, em mais zoom; os créditos foram feitos no próprio programa. Continuou: o dark fade entre uma foto e outra. Resultado: vou retornar os créditos à sua condição anterior (a de figura), porque não fiquei satisfeito com o dark background no Windows Movie Maker. É mais claro que o ideal.

Após almoçar e assistir à primeira hora do filme De-lovely, o qual eu loquei mais pelas músicas, retornei à, teoricamente, primeira tarefa. Senha: 55. Banco: menos lotado. Senha no visor: 74! Foi o jeito descer e pegar uma nova senha. Já estava conformado de que não dava pra ir trabalhar hoje. Graças às minhas alucinações mentais, aguardei quietinho na cadeira as quase duas horas que se passaram até eu ser, enfim, atendido por uma simpática senhora de cabelos tingidos, caixa 16.

Problema resolvido, parti rumo ao problema do meio, que acabou sendo o último. Após uma breve ligação, fui avisado que todas as fotos poderiam ser entregue em um só envelope. O difícil foi achar o tal. "Tem envelope tamanho 20 x 30 cm?". Fiz essa pergunta em 3 lojas do shopping que fazem revelação de filmes e em todas a resposta era negativa. Achei um por 40 centavos ao lado da última delas.

Só não me conformei muito com o comentário do Ronaldo após, educadamente, elogiar as fotos (aposto que ele fazia isso com todos que ali chegassem): "Olha, vou te dar uma dica para o ano que vem: além de fotos em preto e branco, tira algumas coloridas também". O que será que ele quis dizer com isso? Que eu ainda não tenho grandes chances e que as coloridas têm mais chance de ganhar? Será que ele havia comentado com alguém sobre o fato de eu ser o único a participar com fotos em P&B e esse alguém ter-lhe-ia feito algum comentário negativo? Ou ainda (e esta é a hipótese otimista) pelo fato de que as fotos dificilmente serão publicadas na revista, já que são mais artística e menos jornalística? A resposta chega em 20 dias.

quinta-feira, novembro 03, 2005

Tempo perdido? Isso é relativo.

Acordei decidido de que não seria um dia em que eu passaria em casa. Pretendia sair não sei para onde. Talvez pro apartamento, escutar música e esperar a noite chegar. Mas quando estava no banho, dei-me a idéia de sair por aí tirando fotos. Acontece que resolvi passar o tempo criando um novo vídeo que talvez eu mande para uma pequena mostra da universidade.

O vídeo é sobre o Círio (como eu gosto dessa festa!). Basicamente, é a reunião de algumas fotos, em um fundo musical sacro, ao qual deu o título de "Fé". Simples em todos os detalhes. As fotos são em P&B e são passadas em fade de uma para outra. O resultado não me agradou muito, de modo que amanhã vou aperfeiçoá-lo. Pretendo acrescentar um efeito que se chama "Fade no branco", que dá a impressão de flash entre uma foto e outra. Acho que vai ficar melhor assim.

Outra dificuldade é quanto à sincronização do vídeo com o áudio, pois como as fotos são poucas, tenho que ter um certo "jogo de cintura" para não ficar uma coisa muito monótona. Aliás, pretendo até mudar a trilha sonora, que é uma versão de "Ave Maria", interpretada à capela pelo grupo sacro "Arautos do Evangelho". Ao invés disso, estou pensando em pôr o som de sinos no exato momento em que cada foto aparece. Já que acabo de baixar um programa de edição de áudio (Pro Tools), posso até juntar os dois áudios.

Bom, o vídeo deve ser entregue até sexta-feira lá na Unama da BR. Então, tenho que correr. Amanhã, devo perder preciosas horas de sono para ir cedinho ao Banco do Brasil resolver um problema (não estou podendo sacar!). E ainda tenho que levar as fotos que selecionei para o "Concurso Imagens do Círio 2005" lá na Editora Círios. Estou confiante quanto ao fato de ser pelo menos selecionado.

Vou dormir ouvindo Gregorian.